Você pode participar em grupos e sessões com falantes de que línguas?
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro oferece para seus estudantes, professores/as e funcionários/as alimentação saudável e de preço acessível. Na ocasião do XIII CIFE, poderemos oferecer também aos participantes do evento alimentação no Restaurante Universitário, mas somente para quem o reservar previamente. Os e as participantes poderão almoçar e jantar pelo preço cobrado normalmente no RU, ou seja: 3 reais para estudantes com matrículas ativas em alguma universidade ou 15 reais para docentes ou público em geral inscrito no XIII CIFE. No caso de estudantes e docentes, é preciso informar a matrícula a seguir.
Para que possamos organizar a logística do evento, é muito importante que você confirme que virá. Por favor, selecione uma das opções abaixo:
O CIFE, como esperamos estar claro a esta altura, não é um evento de apresentação de trabalhos. Não somos contra esse tipo de congresso, mas desde 2020 buscamos criar alternativas para a lógica da apresentação individual, buscando modos de compor eventos acadêmicos nos quais o campo se reúna para estudar junto e exercitar o pensamento.
Este ano, o XIII CIFE busca radicalizar essa proposta, coletivizando ao máximo as experiências e reduzindo, como pode, as apresentações individuais, escritas autorais, escolhas pessoais e defesas de posições. Em vez disso, apostamos na composição coletiva e organizamos nosso evento para que isso possa acontecer como um momento de formação e estudo.
Assim, nos dois primeiros dias da semana, dias 3 e 4 de agosto, segunda e terça-feira, as pessoas participantes se envolverão em exercícios preparados anteriormente, em conversas com convidadas e convidados e em exercícios formativos, para tentarmos desenhar juntos o que são exercícios errantes e como eles podem ser uma atividade de pesquisa.
No terceiro dia, 5 de agosto, quarta-feira, as pessoas participantes terão tempo para se encontrar em grupos e organizar suas próprias propostas de exercícios errantes para as demais pessoas participantes do colóquio.
Na quinta-feira, 6 de agosto, esses exercícios serão postos em prática, com todas as pessoas propondo coletivamente um exercício e participando de outro.
No último dia do Colóquio, sexta-feira, 7 de agosto, nos encontraremos coletivamente para conversar e fazer emergir novos saberes e novas trajetórias dessa experiência.
Assim, não é um evento no qual você possa aparecer somente no dia da sua apresentação. Convidamos todas as pessoas participantes a viver a experiência integralmente para que ela possa se realizar do modo como a imaginamos: coletivamente.
(Não haverá alterações em caso de chuva)
16h às 18h: Manga ñembosaraí, nosso encontro de futebol amador
Rua São Francisco Xavier, 524, Maracanã, Rio de Janeiro-RJ
8h às 9h: Credenciamento e Café Coletivo e Compartilhado com Vanise Dutra Gomes e Associação Agroecológica de Teresópolis
9h às 12h: Abertura Primeira (auditórios 111 e 113, 11º andar)
Wanderson Flor do Nascimento Laura Agratti e Bruno Deusdará, acompanhados de Leni Lopes e Daniel Gaivota
“Paulo Freire e Darcy Ribeiro em: os andarilhos da pergunta”, com Richard Riguetti
Rua São Francisco Xavier, 524 e Alameda Ruy Barbosa, Imperial de São Cristóvão
14h às 17h: Primeira sessão de exercícios errantes
Rua São Francisco Xavier, 524
18h às 20h: Polifonias Infantis
Rua Francisco Portela, 1470 - Patronato, São Gonçalo-RJ
9h às 12h: Segunda sessão de exercícios errantes
12h às 13h: Almoço
13h às 14h: Convite à escrita
Rua dos Arcos, s/n - Lapa, Rio de Janeiro-RJ
18h às 22h: Lançamento de livros, com o grupo In-Versos (UFRJ) e o trio Ziriguidó
Rua Felisbelo Freire - Parque Beira Mar, Duque de Caxias-RJ
9h às 12h: Exercícios errantes com crianças
14h às 17h: Preparação dos novos exercícios errantes
Av. Infante Dom Henrique, 85 - Praia do Flamengo, Rio de Janeiro-RJ
18h às 20h30: Exibição do documentário “Um filme de perguntas”
9h às 12h: Terceira sessão de exercícios errantes
13h às 16h: Quarta sessão de exercícios errantes
17h30 às 18h30: Convite à escrita
18h30 às 20h30: Giras de Palavras
13h às 15h: Festival de Utopias
Mónica Arias e Sumaya Babamia, acompanhadas de Renata Magalhães e Allan Silva
15h às 16h: Convite à escrita
16h às 18h: Última abertura
Campo de São Cristóvão, Imperial de São Cristóvão, Rio de Janeiro-RJ
20h: Rolezinho
9h às 12h: Coloquinho
13h às 15h: Coloquinho
17h às 19h: Manga ñembosaraí II, nosso encontro de futebol amador
O tema do XIII CIFE gira em torno das territorialidades infantis e dos encontros possíveis a partir destas relações atravessadas por uma infância do pensamento (Kohan, 2022; Lyotard, 1993). O evento lança uma discussão a partir da concepção de estrangeiridade e de deslocamento presentes em diversos estudos recentes (Kohan, 2019; Gaivota, 2017; Fonseca, 2020) e que, entre outros conceitos contribuíram para a composição do conceito de Errância trabalhado no último Colóquio (XII CIFE) e em diversos trabalhos nos últimos anos. A partir da imagem de um cais ou de um porto onde viajantes de lugares diversos possam se encontrar para compartilhar línguas, sabores e histórias, o CIFE se propõe como um ponto de encontro entre pesquisadoras, profissionais, entusiastas e exploradoras de um campo que é interseccionado pela Filosofia da Educação, dos Estudos da Infância e das Filosofias da Infância. Admitindo como premissas básicas desse campo emergente a heterogeneidade, multiplicidade e a contaminação entre territórios estrangeiros, o evento convida as pessoas participantes a refletir sobre estas disposições e como elas podem definir que tipo de saber esse campo pode produzir na realidade.
A palavra “fisolofar” do título remete a esta produção de saber aberta e atenta às epistemologias infantis: recentemente Edna Olimpia da Cunha defendeu uma tese de doutorado no PROPEd/UERJ com o título: Por um devir quilombo na escola pública: resistir com infâncias na filosofia (Cunha, 2025). Ela trata de sua experiência de filosofia com crianças de todas as idades na Escola Pública da periferia fluminense. Na tese, ela narra o modo como algumas crianças e adolescentes, mais velhos e mais velhas, mudando a posição das sílabas, pronunciam a palavra e lhe perguntam quando chegam à escola: “Tia, vai ter fisolofia hoje?” Assim, as crianças inventam uma palavra estrangeira, uma marca que desloca a filosofia dos seus territórios habitados, conhecidos, tradicionais.
Esse desvio é a marca daquilo que o evento buscará, isto é: que os participantes coloquem em questão aquilo que pensam. Ou seja, que encontrem novas perguntas antes que repitam velhas certezas. O NEFI afirma, com a organização do XIII CIFE, o compromisso da Universidade Pública com a promoção de espaços abertos de pensamento que permitam uma vida mais reflexiva e coloque, coletivamente, em questão os problemas de nosso tempo. Busca assim engendrar um encontro coletivo de pensamento, questionamento e diálogo, em meio às crises e sob os efeitos dos modos de exercer os poderes que atentam contra a vida em nosso tempo, que afirmam como paradigma o acerto, o resultado e a homogeneização dos objetivos, capturando as potências das instituições educativas em função de lógicas alheias a elas. Assim, formato e o tema do evento são já uma forma de resistência – não na forma de uma resposta, mas de um desvio, da afirmação de uma terra que não é território.
A afirmação de uma terra, mais que um território, representa uma pergunta. Um desafio a esta categoria tão difundida por pensadores como Deleuze e Guattari (2012) e outros que habitam o mesmo topos conceitual. Afirmar uma terra infantil – e através da imagem do porto de viajantes propomos um tempo-espaço suspenso, temporâneo, pouco estruturado e com infinitas aberturas –, desafia o conceito de território propondo um espaço outro para o pensamento: um fora (Blanchot, 2010), uma khôra (Derrida, 1995). E, ao afirmá-lo, sugerimos que a infância é composta ela própria de uma estrangeiridade, de um povo de migrantes que, num mundo adulto, falam sempre com um sotaque diverso.
A partir destas provocações, esperamos avançar nas linhas que delineiam o que é a infância e qual o seu lugar, problematizando, no contexto político que é o nosso, o sentido da educação e, consequentemente, o sentido da própria atividade docente. Esperamos que esta reflexão nos permita continuar afirmando a educação pública compondo relações errantes, mais alegres e potentes entre nós e os outros, nos acontecimentos de aprender e de ensinar. Através do formato não tradicional de trabalho, que tenta escapar das relações hierárquicas entre quem sabe e quem não sabe, acreditamos que tornem-se possíveis estéticas ensinantes e aprendentes que afirmem, através dos deslocamentos, outras potências da vida. Enfim, o XIII CIFE representa um convite para estudantes, professoras e professores de todos os níveis de ensino costurarmos juntos, errando, no espaço do pensamento e da vida e em meio aos sufocos que enfrentamos no presente, linhas e fluxos que afirmem outra política, outro pensamento, outra vida.
Este colóquio é mais uma experiência coletiva de estudo da proposta radical que inauguramos em 2020, quando decidimos retirar de nossa programação as palestras, apresentações de trabalho e envio de trabalhos acadêmicos compridos para dar lugar a textos curtos e questionadores, grupos de estudo e momentos de discussão -- e que viemos desenvolvendo nos Colóquios de 2022 e 2024, XI e XII CIFE. Não foi fácil assumir essa posição e não será. Nem para aqueles que preferem aprender de alguém que supostamente já sabe e muito menos para aqueles que desejam ensinar o que acham que o outro deve saber. As estruturas que tornam possível a desigualdade das inteligências são muito fortes, e por incrível que pareça, abrir espaços para pensar em comunidade é um grande desafio.
Apesar de estarmos sempre recomeçando, nossos encontros já têm uma rica história: em junho de 2002, teve lugar na UERJ o I Colóquio Franco-Brasileiro de Filosofia da Educação "O valor do mestre - igualdade e alteridade na educação", com a presença, dentre outros convidados, de Jacques Rancière e o lançamento de seu livro O mestre ignorante. A segunda edição do colóquio, em novembro de 2004, foi organizada sob o tema "O devir-mestre: entre Deleuze e a Educação". A terceira edição do Colóquio fez homenagem ao filósofo francês Michel Foucault, nos 80 anos de seu nascimento em outubro de 2006. O IV Colóquio, em agosto de 2008, deixou de ter um filósofo como tema central e passou a ter uma temática. Nessa ocasião foi: "Filosofia, aprendizagem, experiência". O V Colóquio, em setembro de 2010, passou a ser Internacional e não apenas Franco-Brasileiro. A sua temática foi "Devir-criança da filosofia: infância da educação". O VI Colóquio, em agosto de 2012, teve como tema "Filosofar: aprender e ensinar". Em cada uma das suas primeiras seis edições, o colóquio reuniu em torno de quinhentos participantes.
A partir da sétima edição, o número de participantes foi crescendo ano a ano, até acolhermos mais de mil participantes simultaneamente - sempre de forma aberta e gratuita. Em setembro de 2014, o VII Colóquio propôs o tema "O que pode a escola hoje em Nossa América?", para interrogar a potência da escola - como ambiente, como instituição, como forma, como espaço, como tempo, como mundo - no seu contexto de sentido, cultural e político.
Em 2016, a VIII versão do Colóquio aconteceu de 4 a 7 de outubro, em pleno contexto de golpe de Estado no Brasil, sob o tema "Comunidades que se tecem entre nosotros: alinhavando diferença e o ato de educar em uma língua ainda por ser escrita", penguntando-se por quais descaminhos novas estéticas ensinantes e aprendentes vinham conseguido se esboçar e como estes descaminhos poderiam oferecer resistência. Ou melhor: que contrapontos temos traçado entre nossas errâncias educativas e o eterno retorno da força do que difere?
O IX Colóquio, realizado de 1 a 5 de outubro de 2018 num contexto de crise da universidade pública e especialmente, de abandono da UERJ, se propôs a discutir a temática "Filosofia e educação em errância: inventar escola, infâncias do pensar". Buscando, em meio às crises e sob os efeitos perversos dos modos de exercer os poderes em nosso tempo, engendrar um encontro coletivo de enunciação pautado em lógicas errantes, difusas, infantis, cartográficas, nômades.
Em 2020, fizemos outro salto: nos organizamos em grupos de estudo que, durante três dias, se debruçaram sobre os temas do Colóquio e juntos puderam produzir pensamento. Em 2022, retomamos a presencialidade do evento com mais de 1200 participantes no XI CIFE, sob o tema “Estudar?” entre 7 e 11 de novembro de 2022, ampliando a proposta de 2020 e desenvolvendo-a na materialidade do encontro. Em 2024, sob o tema "Errar?" reduzimos todas as atividades a exercícios errantes, nos aprofundando no estudo dessa modalidade de encontro e pesquisa. Este ano, teremos a culminância desse ciclo, estudando, escrevendo e produzindo saber por uma semana juntos através de exercícios errantes.